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Sakuraba Law

Mulher pensativa olhando pela janela em casa, diante do laptop e de uma caneca

Se separar já é difícil. Se separar a 8 mil quilômetros da sua rede de apoio, em um sistema jurídico que parece frio e numa língua que não é a do seu coração – é outra coisa.

Se a minha prima me ligasse hoje dizendo “acabou”, este é exatamente o conselho que eu daria, na ordem em que eu daria. Sem juridiquês.

“Casei no Brasil. Posso me divorciar aqui?”

Pode. Pela Divorce Act, basta que um dos dois tenha morado na província por pelo menos um ano antes de entrar com o processo. Não importa onde foi o casamento, nem se você é cidadã, residente permanente ou está com visto temporário.

E um detalhe que acalma muita gente: não precisa da concordância do outro. Com um ano de separação, o divórcio sai mesmo que o outro lado não coopere. O casal pode inclusive estar “separado” morando sob o mesmo teto, desde que a vida de casal tenha terminado – situação comum quando o aluguel de Toronto não permite duas casas de imediato.

“Posso voltar para o Brasil com as crianças?” – a pergunta mais urgente (e mais perigosa)

Essa costuma ser a pergunta mais urgente de quem se separa longe do Brasil – e a resposta precisa ser dita com todo o cuidado e toda a clareza:

Não embarque com as crianças sem o consentimento do outro genitor ou uma autorização judicial.

O Brasil e o Canadá são signatários da Convenção de Haia sobre sequestro internacional de menores. Sair do país com os filhos sem autorização – mesmo sendo a mãe, mesmo com as melhores intenções, mesmo “só para passar um tempo com a família” – pode ser tratado como abdução internacional, com ordem de retorno das crianças ao Canadá e consequências sérias na disputa de guarda.

O caminho seguro existe e se chama relocação autorizada: um pedido estruturado, com plano de convivência para o pai ou mãe que fica. É mais lento do que a saudade gostaria. Mas é o caminho que protege você e as crianças.

“E os filhos, como fica a guarda?”

Ontário não usa mais a linguagem de “custódia” e “visitas”. Hoje se fala em parenting time (tempo com as crianças) e decision-making responsibility (quem decide escola, saúde, religião) – e tudo gira em torno de um único critério: o melhor interesse da criança.

A pensão dos filhos (child support) segue tabelas federais baseadas na renda de quem paga – há pouquíssimo espaço para “negociar por fora”. A pensão entre ex-cônjuges (spousal support) depende da duração do casamento e dos papéis que cada um assumiu – inclusive de quem pausou a carreira ao imigrar para acompanhar o outro. Isso conta, e muito.

“Como divide? Tem coisa no Brasil também…”

Em Ontário, a Family Law Act usa o sistema de equalização: calcula-se quanto o patrimônio de cada um cresceu durante o casamento e divide-se a diferença. Três pontos que pegam brasileiros de surpresa:

  • A casa da família (matrimonial home) tem proteção especial – mesmo que esteja só no nome de um;
  • Os bens no Brasil entram na conta: o apartamento em São Paulo, a participação na empresa da família, a poupança. Esconder patrimônio é o jeito mais rápido de anular um acordo depois;
  • Acordo de separação bom é acordo blindado: divulgação financeira completa dos dois lados e advogado independente para cada um. Economizar nisso hoje é pagar o dobro amanhã.

“O divórcio daqui vale no Brasil?”

Não automaticamente – e é aqui que ter um escritório com pé nos dois sistemas muda o resultado. Para o divórcio canadense produzir efeitos no Brasil (mudar o estado civil, permitir novo casamento lá, mexer em bens), a sentença precisa ser reconhecida no Brasil: em regra, divórcios consensuais simples podem ser averbados diretamente em cartório, e os demais passam por homologação no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A boa notícia: a forma como a sentença canadense é redigida pode facilitar (ou complicar) muito esse reconhecimento. Quando conduzimos o divórcio já pensando no Brasil, o segundo passo vira trâmite, não batalha. Enquanto isso, procurações públicas resolvem banco, imóvel e pendências no Brasil sem você precisar pegar um avião – veja nossos serviços de notary.

E o caminho inverso pede o mesmo cuidado: nem todo divórcio concedido no Brasil vale automaticamente aqui. Se você mora no Canadá, é extremamente importante consultar um advogado canadense antes de se divorciar no Brasil – a ordem errada pode comprometer o reconhecimento do divórcio, a divisão de bens e as questões de guarda deste lado.

A Visão da Sakuraba Law

Uma convicção: o sistema canadense não é frio – ele é impessoal, e isso pode jogar a seu favor. No Brasil, o divórcio vira novela: família opina, advogado “briga”, tudo é pessoal. Aqui, o processo é desenhado para reduzir o conflito a decisões objetivas – e quem entende as regras sai protegido sem precisar sair destruído. Nosso papel é traduzir: a lei, a língua e, principalmente, a expectativa. Você não precisa “vencer” o divórcio. Precisa atravessá-lo inteira, com as crianças protegidas e o patrimônio dos dois países no lugar certo.

Perguntas frequentes

Meu marido/esposa está no Brasil. Consigo me divorciar aqui?

Sim, cumprido o seu ano de residência em Ontário. A citação de quem está no Brasil tem procedimento próprio – cuidamos disso.

Quanto tempo demora?

Consensual e simples: alguns meses. Com disputa de filhos ou bens: mais. O maior acelerador é chegar organizada – documentos financeiros e clareza sobre o que importa para você.

Sou residente temporária. Meu status muda com o divórcio?

Divórcio e imigração são processos separados, mas podem se cruzar (ex.: sponsorship em andamento). Por atendermos as duas áreas, analisamos o conjunto.

Preciso mesmo de advogado se estamos de acordo?

Um acordo sem divulgação financeira completa e sem assessoria independente é um acordo frágil. É justamente o “de acordo” de hoje que precisa aguentar o desacordo de amanhã.

Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Você não precisa resolver isso sozinha

Mande uma mensagem em português ou agende uma consulta para conversar sobre o seu caso com quem entende os dois países.

Sakuraba Law – 120-202 Eglinton Avenue East, Toronto, ON | 905 393 2999